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| Foto: Timothy A. Clary / AFP Photo |
Depois da vitória na primária de New Hampshire ontem, Bernie Sanders desponta como favorito a aglutinar os votos da ala mais à esquerda e anti-establishment do Partido Democrata. Duas questões se impõem:
Com tantos candidatos na disputa, terá Sanders força para sair das prévias com maioria garantida na convenção de julho?
Qual dos demais candidatos que tentam atrair eleitores tidos como “moderados” despontará como seu principal rival nas próximas semanas?
A resposta à primeira questão só ficará clara ao longo dos próximos meses. A corrida embolada faz aumentar a chance de uma “convenção disputada”, em que nenhum pré-candidato chega com maioria e são necessárias várias rodadas de votação até o partido escolher o candidato. Nas convenções disputadas, acabam prevalecendo conchavos e acordos de bastidores.
A última no Partido Democrata foi em 1952, em Chicago. Depois de três votações, foi escolhido um nome que nem se declarava candidato (na época não havia prévias): o govenador de Illinois, Adlai Stevenson (depois derrotado nas urnas pelo republicano Dwight Eisenhower). Stevenson ficara em segundo na primeira rodada e precisou de um empurrãozinho do presidente Harry Truman para sair vitorioso.
Em 1968, a convenção democrata, também em Chicago, só não foi disputada por causa do assassinato de Robert Kennedy durante as primárias na Califórnia. A violência policial para proteger os delegados dos protestos estudantis marcou aqueles dias mais que o nome escolhido, o ex-vice-presidente Hubert Humphrey. Em 1972, quando passou a funcionar o sistema de prévias em vigor até hoje, houve uma tentativa de invalidar delegados do vencedor, o senador George McGovern (depois derrotado nas urnas pelo presidente Richard Nixon).
Para evitar uma disputa decidida por conchavos, Sanders precisará reunir 1.990 dos 3.979 delegados eleitos nas prévias – os que votam na primeira rodada. Se não conseguir, outros 771 caciques partidários, conhecidos como “super-delegados”, terão o direito de votar a partir da segunda rodada. Ligados ao establishment, tenderão a apoiar qualquer outro nome que não Sanders, tido como um radical de esquerda e associado ao socialismo.
Até as duas prévias deste mês, a expectativa era que esse nome fosse o ex-vice-presidente Joe Biden. Em Iowa, ele chegou em quarto lugar, mas a confusão na apuração dos resultados serviu em parte para deixar a humilhação em segundo plano. Ontem Biden ficou em quinto. Os caucus de Nevada, daqui a 10 dias, e a primária da Carolina do Sul no fim do mês são as última chances de ele se mostrar viável.
Do G1
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