Pular para o conteúdo principal

Cheira mal: Aécio, "Temer não deve se preocupar com popularidade"

Ciente de que a agenda defendida pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) para um eventual governo é prejudicial ao povo e irá desagradar vários setores da população, o senador e dirigente nacional do PSDB, Aécio Neves, disse, nesta quarta (11), que o peemedebista "não tem que se preocupar com a popularidade".
Durante a sessão que votará a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado, Aécio defendeu que Temer faça um ajuste fiscal e "enfrente questões" como a Reforma da Previdência, a "modernização da legislação trabalhista" e uma reforma política que limite o número de partidos.

A pauta proposta pelo tucano é impopular justamente porque ataca direitos trabalhistas e garantias sociais. Em linhas gerais, o que Aécio prega já vem sendo discutido pelo vice-presidente e seu partido. O PMDB, inclusive, formalizou o seu "pacote de maldades" em um documento chamado Ponte para o Futuro, divulgado no ano passado.

A agenda de tucanos e peemedebistas inclui acabar com todas as “indexações para salários e benefícios”, abrindo a porta para o fim da exitosa política de valorização do salário mínimo e para a criação de distorções. Permite, por exemplo, que beneficiários da previdência possam vir a receber menos que o salário mínimo. 

O que Aécio chama de "modernização da legislação trabalhista", na verdade, é uma velha conhecida do PSDB - a flexibilização da legislação, retirando proteções dos trabalhadores. Entre as medidas, está um projeto que permite que negociações coletivas tenham mais valor que o previsto na lei trabalhista. O objetivo disfarçado é a perda de direitos, já que o poder de negociação entre patrões e empregados é desigual, em especial em períodos de crise em que o trabalhador tenta assegurar sua vaga. Tucanos e peemedebistas também apoiam a terceirização do mercado de trabalho, que, na prática, significa precarização. 

A reforma da previdência a que o senador se refere estipula a idade mínima para a aposentadoria, que pode chegar a 67 anos. Essa medida penaliza o trabalhador de baixa renda, que começa muito cedo no ofício. E a desvinculação do salário mínimo aos benefícios da previdência atinge 22 milhões de aposentados, que, sem reajuste atrelado ao mínimo, poderão ter sua renda congelada, perdendo poder de compra.

Outra das propostas antipovo é acabar com as vinculações constitucionais, como gastos mínimos obrigatórios com Saúde e Educação, deixando o Orçamento para essas áreas à marcê dos interesses momentâneos de governos que, em situações de crise, podem decidir cortar recursos nessas áreas. Penalizariam justamente a população mais pobre, que depende do serviço público. 

No Senado, o presidente do PSDB voltou a dizer que seu partido vai apoiar o governo Temer, independentemente de cargos, e que preferia que "isso ocorresse sem ministros do PSDB no governo". Artífice do golpe, o partido de Aécio parece querer certa distância das dificuldades que o governo ilegítimo de Temer irá enfrentar. 

"Apoiar esse governo para que faça as reformas que nós faríamos. Estimular este governo para que tome as medidas que nós tomaríamos. Para que enxugue o Estado como nós enxugaríamos. Para que coloque pessoas qualificadas como nós colocaríamos", disse Aécio.

O senador afirmou que, se Temer tomar medidas pensando nas eleições de 2018, "cometerá grande equívoco". 

"Ele [Temer] tem que se preocupar em passar para a história como o presidente que teve coragem em, aproveitando um momento que o destino lhe ofereceu, para fazer aquilo que o governo do PT não fez", afirmou, ingnorando o fato de que as propostas que ele defende foram submetidas à população e rejeitada nas urnas, durante seguidas eleições. Sem apoio popular, só mesmo por meio de um golpe seria possível implementá-las.  

Comentários

Postagens mais lidas

Procuradoria pede a Justiça Federal multa a União por ‘caminhada de Bolsonaro’

O procurador da República Julio José Araujo Junior, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, pediu à Justiça Federal que aplique multa de R$ 100 mil à União após o presidente Jair Bolsonaro “realizar caminhadas em cidades satélite do Distrito Federal” neste domingo, 29. Ele também pede a majoração da multa para R$ 500 mil caso o presidente repita o gesto. O pedido de Araujo Junior se baseia em tutela de urgência de ação civil concedida pela 1ª Vara Federal de Duque de Caxias (RJ) que determinou à União que se abstivesse de estimular a “não observância do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde e o pleno compromisso com o direito à informação e o dever de justificativa dos atos normativos e medidas de saúde”. Araujo Junior anotou. “A postura da Presidência da República aponta para o descumprimento do item 4 da decisão proferida por esse juízo, que ressaltou a necessidade de abstenção da União de adotar qualquer estímulo à não observância do iso...

Dilma rejeita proposta de regulamentação da mídia

A presidente Dilma Rousseff não quer nem saber da proposta de regulamentação da mídia aprovada no final de semana, em Brasília, pelo PT. De acordo com informações dos bastidores do Planalto, a presidente repudia, por princípio, a moção e teme que as propostas afetem o apoio conquistado por seu governo entre as famílias de classe média. Segundo informações de assessores ao Estadão, a posição da petista sobre os meios de comunicação continua a mesma do período da campanha eleitoral. Em várias declarações sobre o tema feitas na época, a presidente afirmou que o único controle de mídia que ela leva em consideração é o “controle remoto, para mudar de programa na TV”. “Não conheço outro tipo”, costuma repetir.

São Vicente voltará a funcionar e terá atendimentos do SUS

Estrutura do hospital já está pronta para reiniciar atividades O Hospital São Vicente de Jequié, agora sob gestão da União Comunitária de Médicos da Bahia deverá reiniciar atividades dentro dos próximos dias. Após cerca de três anos do fechamento,  o hospital, que pertence a iniciativa privada, voltará a dar atendimento ao público local e da região. O São Vicente disponibilizá atendimentos para pacientes particulares, convênios e, também, originários do Sistema Único de Saúde-SUS. Cirurgias eletivas com encaminhamento pelo sistema público serão efetuadas. Diversificada gama de especialidades médicas, para pacientes adultos e infantis estarão sendo oferecidos. O vereador José Simões Júnior, informou ao Jequié Repórter, que a confirmação da data de reinauguração do São Vicente, está na dependência tão somente, de data na agenda do deputado federal Paulo Magalhães, que teve influência na formação do novo grupo gestor, para que ele esteja presente. Do Jequié Repórter.

Jequié: Polícia civil apreende carro envolvido em tiroteio

Policiais civis da 9° Coorpin/Jequié apreenderam um veículo modelo Corola, placa LPG 4454, o carro apresentava perfurações de bala espalhadas pela chaparia. Na quinta feira (11) da semana passa os ocupantes de dois carros, um Astra e um Corola, trocou tiros na Rua Capitão Silvino de Araujo, bairro Joaquim Romão.  Policiais militares recuperam o Astra, que estava abandonado no Loteamento Tropical um dia depois do tiroteio. Nesta quinta feira (18) os civis localizaram o Corola em uma oficina de chaparia no bairro de Joaquim Romão, os buracos de bala já tinham sido recuperados. O carro foi recolhido para a Delegacia, o dono do não foi localizado e nem teve o nome revelado. A PC informou que os ocupantes dos carros são traficantes de facções rivais. (Fonte:JM)

BRASIL: Bolsonaro e Moro são indignos, diz Haddad

Por Fernando Haddad As acusações mútuas que se fizeram Moro e Bolsonaro são gravíssimas. Moro acusou o chefe de querer interferir politicamente nas investigações da PF. Bolsonaro acusou seu ministro de concordar com a troca do diretor-geral apenas depois de ele, Moro, ser indicado para uma vaga no STF. Como se vê, tudo muito “republicano”. Chama a atenção, entretanto, aquilo que eles admitiram de si mesmos. Moro negociou sua ida para o ministério em troca de uma pensão para a família caso viesse a faltar. O homem que ganhou salário de juiz por mais de vinte anos, não raro acima do teto constitucional, negociou uma pensão não prevista em lei. Quem pagaria? Como foi acertado esse arranjo? E os demais brasileiros que arriscam a vida diariamente? Bolsonaro, por sua vez, disse que, de fato, queria nomear um diretor-geral com quem ele pudesse interagir diretamente. Assumiu também que determinou a substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro, cidade em que atos suspeitos ...