Pular para o conteúdo principal

Empresários com offshores no Pandora Papers devem R$ 16 bilhões em impostos à União

 

(Reprodução)

Os documentos do Pandora Papers mostram que 66 dos maiores devedores brasileiros de impostos, cujas dívidas somam R$ 16,6 bilhões, mantêm offshores com milhões depositados em paraísos fiscais. Dentre eles, estão desde o empresário Eike Batista e o inventário do ex-deputado José Janene, estrela do Mensalão e morto em 2010, até desconhecidos do público em geral, mas que figuraram em esquemas de corrupção sob investigação da Polícia Federal.

Offshores são empresas em paraísos fiscais, muito populares entre as pessoas mais ricas do mundo. Elas são criadas por motivos que vão desde economizar no pagamento de impostos — um drible fiscal suavemente chamado de eficiência tributária — até a proteção de ativos contra o risco político ou confiscos, como o que ocorreu no Brasil em 1990. Por estarem localizadas em países com pouca transparência e fiscalização, as offshores também são usadas por quem quer ocultar patrimônio ou por corruptos ou integrantes de organizações criminosas que desejam esconder dinheiro sujo. No Brasil, é permitido ter offshores, desde que declaradas à Receita Federal e, quando seus ativos ultrapassam US$ 1 milhão, ao Banco Central. Assista aqui a um vídeo para entender melhor o que é uma offshore.

Quando uma pessoa tem seu nome inscrito na Dívida Ativa, o governo federal pode pedir ao Judiciário a penhora de bens e a retenção de valores para tentar forçar o pagamento da dívida. Isso é mais difícil em caso de bens no exterior, mesmo quando os bens são declarados.

Para chegar à lista, a reportagem selecionou os nomes de todos os devedores com débitos somados superiores a R$ 20 milhões inscritos na Dívida Ativa da União. Depois disso, esses nomes foram buscados no banco de dados do Pandora Papers. Os resultados foram analisados para excluir casos de homônimos. Ao fazer o cruzamento, o Metrópoles considerou apenas as dívidas em nome da pessoa física, e não as relacionadas a eventuais empresas detidas por essas pessoas. Isso porque muitas vezes as dívidas de pessoas jurídicas também são inscritas para as físicas.

Os nomes identificados foram contatados, seja por meio da assessoria de imprensa, seja por outros canais, para que informassem se declararam à Receita Federal e ao Banco Central a abertura da offshore e explicassem a razão de terem criado as empresas.

Leia a seguir alguns dos principais casos de devedores com offshores citados em documentos do Pandora Papers. 

Eike Batista

O empresário que chegou a ser a pessoa mais rica do Brasil tem hoje débito de R$ 3,8 bilhões inscrito na Dívida Ativa. O nome dele está ligado a duas offshores, a Farcrest Investment e a Green Caritas Trust.

Claudio Rossi Zampini

O empresário Claudio Rossi Zampini possui negócios de ramos diversos em São Paulo, como a CRZ Telecomunicações e a Flamingo Táxi Aéreo. Ele também possui débitos somados de R$ 1,3 bilhão inscritos na Dívida Ativa da União, referentes a inscrições entre 2014 e 2019.

Jonathan Couto de Souza

É mais conhecido por sua carreira como cantor e influenciador digital do que por sua atividade empresarial na Clean Indústria e Comércio de Cigarros, na qual possui 21% do capital. Jonathan tem débito de R$ 1,2 bilhão inscrito na Dívida Ativa da União, e o acervo possui uma offshore, a Ranfed Investments. Criada em 2016, a empresa não consta na declaração de bens feita por Jonathan em 2020, quando se candidatou para o cargo de vereador no Rio de Janeiro.

Mario Kenji Erie

O empresário, dono das lojas de roupas Makenji — muito forte na Região Sul, com 19 unidades espalhadas por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina —, foi uma das figuras centrais de uma investigação de corrupção da Polícia Federal, a Operação Alcatraz, de 2019. A diligência apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em procedimentos licitatórios na compra de equipamentos eletrônicos pelo governo de Santa Catarina.

Corina de Almeida Leite

Dona da Cia Agropecuária Monte Alegre, especializada em confinamento de gado e com diversos prêmios internacionais, e sócia da Adecoagro, empresa de Luxemburgo que é uma das maiores em atuação no agronegócio do Centro-Oeste, a empresária Corina de Almeida Leite tem R$ 27,4 milhões inscritos na Dívida Ativa da União.  Corina mantém uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas desde 2006, a Etiel Societé Anonyme, que, segundo um documento do Pandora Papers, detinha US$ 500 mil em ações da Adecoagro em 2016. Em consulta feita em 22 de setembro deste ano, o nome dela continuava na Dívida Ativa.

Para saber mais, acesse o site do Metrópoles 



Comentários

Postagens mais lidas

CORONAVÍRUS: Exposição Agropecuária de Jequié é cancelada

Reprodução Mais um grande evento em Jequié é cancelado devido a pandemia do coronavírus. Desta vez, foi anunciado que a 41° Exposição Agropecuária do município, que estava definida para as datas de 25 de abril até 3 de maio, foi cancelada pelo Sindicato Rural de Jequié, órgão que organiza o evento.  Em entrevista recente ao programa “Hora de Notícias”, da JR Rádio, o presidente do Sindicato Rural, Coronel Ivo, já anunciava a possibilidade de cancelamento do evento devido as medidas de segurança para a contenção do covid-19.  Vale lembrar, que por decreto da Prefeitura de Jequié, está vedado a realização de eventos de grande porte no município, exatamente para evitar a aglomeração de pessoas. Do, Jequié Repórter

Operação 'agatha' prende suspeito de tráfego em Jequié

Na manhã de ontem, segunda-feira (05), o Ten. Cel Valci Góis Serpa de Oliveira surpreendeu o tráfico de drogas em Jequié ao determinar a execução de mais uma operação, envolvendo o Setor de Missões Especiais (SME) e prepostos da 1ª CIA PM, sob o comando do MAJ PM José Silvério de Almeida Neto. Após levantamento feito pelo SME, foi localizado o indivíduo Jadson Oliveira Miranda, apelidado de “Sussú”.  Com o suspeito foram encontrados mais de 1700 kg de maconha prensada e 160g de Crack, além de munições de revólver cal.38, uma balança de precisão e vários celulares. Jadson foi apresentado na delegacia de polícia, sendo preso em flagrante delito. A operação Agatha é uma reposta do 19º BPM contra o tráfico de drogas. “O tráfico afeta muitas vítimas”. Não interessa se o traficante é um “ tubarão” ou se ele é dono de uma boca de fumo menor, o trabalho do 19º BPM é, justamente, fazer com que não haja proliferação do tráfico em nossa região “, afirmou o comandante Serpa. Co...

Caminhada pela Paz em Jequié

Avenida Rio Branco/Fotos Jr. Mascote Por Jequié Revista A Caminhada pela Paz realizada nesta terça (8), em Jequié, reuniu cerca de 10 mil pessoas. A multidão, inicialmente, se concentrou na Praça Luiz Viana com saída às 10 horas em direção a Praça da bandeira passando pela Avenida Rio Branco até chegar a Praça Rui Barbosa, onde foi realizado um culto ecumênico. A Caminhada pela Paz contou com as participações de entidades privadas e públicas, famílias e estudantes. A caminhada marcou, não só os jequieenses, mais todos os que estavam de passagem pela cidade, pela sensibilidade e presteza da nossa população em atender um chamado em prol da Paz. A paz não está nas cores. A paz não se encontra em prateleiras. A paz se traduz em gestos. A paz se encontra dentro de cada um de nós. Parabéns aos idealizadores do evento e, principalmente, a todos os cidadãos de paz. Concentração na Praça Rui Barbosa

Índice de mortos nas estradas federias crescem pela primeira vez em sete anos

REUTERS/Nacho Doce/Reuters Pela primeira vez em sete anos, o país registrou alta de mortos nas rodovias federais. Em 2019, o crescimento foi de 1,2% frente ao ano anterior para 5.332 casos e interrompeu uma tendência de quedas sucessivas observadas nas vias entre 2012 e 2018. É o que aponta um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) a partir de dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em 2019, os acidentes graves também subiram. Os registros passaram de 53.963, em 2018, para 55.756. As vias federais tiveram 2.526 feridos a mais na comparação com 2018. Já os acidentes sem vítimas caíram de 15,2 mil para 11,6 mil. Os casos graves estavam em queda consecutiva desde 2013. A tendência de crescimento dos acidentes com vítimas já havia sido revelada em reportagem do GLOBO de novembro. Especialistas alertam que os casos com mortos e feridos costumam ter relação com o excesso de velocidade. No ano passado, o governo do presidente Jair Bolsonaro red...

Ronaldo encerra seu reinado sem ter um sucessor à altura

Para os jogadores, ele é o “Presidente”, apelido que até outros craques consagrados aceitam usar quando está por perto. Na história da seleção, no entanto, Ronaldo é rei. Desde que Pelé inaugurou a dinastia dos brasileiros campeões do mundo, nenhum outro monarca ocupou esse trono por tanto tempo. E na noite desta terça-feira, quando seu reinado acabar oficialmente, Ronaldo não deixará nenhum sucessor direto. Alguns já reivindicam a coroa – um deles, o jovem príncipe Neymar, estará em campo ao lado dele no amistoso contra a Romênia, às 21h50 (horário de Brasília), no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mas ainda falta ao novo astro da seleção uma coisa que consagrou os outros craques que marcaram época com o manto amarelo: a capacidade ímpar de fazer gols de todas as formas possíveis e imagináveis. Nisso, Ronaldo só perde mesmo para Pelé – são 67 gols, contra os 95 do tricampeão mundial. Ronaldo, aliás, foi bi em Copas – e ainda marcou seu nome com maior artilheiro da história dos Mundi...