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Com Lula e Mujica, líderes progressistas da América Latina estabelecem agenda de enfrentamento contra a covid-19

Bandeirolas vermelhas nas janelas de um prédio de Soacha, perto de Bogotá, sinalizando a vulnerabilidade de seus moradores.RAUL ARBOLEDA / AFP
Unidade perante a direita e uma agenda alternativa às opções neoliberais para enfrentar a emergência sanitária do coronavírus na América Latina. Esse é o propósito do Grupo de Puebla, um fórum de líderes progressistas latino-americanos criado em julho passado na homônima cidade mexicana, que analisou os desafios regionais trazidos pela covid-19 e propôs uma série de medidas necessárias, segundo sua leitura, para mitigar as repercussões econômicas da pandemia. 
A premissa se baseia num cálculo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas, segundo o qual em 2020 a América Latina terá uma queda de 5,3% no seu PIB conjunto, uma contração de 3,5% no nível de emprego e um aumento de 4,5 pontos percentuais na pobreza e de um pouco mais de 2 pontos nos índices de miséria. Trata-se, segundo o documento, de “um registro cru e inédito na história latino-americana”, significando que, entre mais de 600 milhões de habitantes do subcontinente, quase a metade, 270 milhões, terá que enfrentar uma situação de pobreza, e 80 milhões cairão na miséria.
Participaram da reunião sete ex-chefes de Governo (além de Samper, o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, os brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o equatoriano Rafael Correa, o boliviano Evo Morales e o uruguaio José Mujica), o atual mandatário argentino, Alberto Fernández, dirigentes da esquerda e economistas como o prêmio Nobel Joseph Stiglitz. Todos concordaram quanto à necessidade de fortalecer a integração regional a partir de uma concepção do Estado como “fornecedor de bens públicos”.
O Grupo de Puebla defende, por exemplo, facilitar “a adoção de instrumentos de política social e econômica dos quais a região se afastou nos últimos anos por causa da primazia de modelos neoliberais". Ao mesmo tempo, uma vez superada a pandemia da covid-19, rejeita "voltar a um sistema de produção, extração, acumulação e consumo incompatível com o desafio representado pela adaptação ao aquecimento global”.


Do, El País

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