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Faz 75 anos que as tropas da União Soviética libertaram Auschwitz. A data hoje é lembrada como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Primo Levi, um dos mais famosos sobreviventes, estava deitado em uma tenda médica com escarlatina quando os libertadores chegaram ao campo de extermínio nazista, na Polônia.

Soldados lançavam "olhares estranhamente desconcertados aos corpos espalhados, às cabanas surradas e aos poucos de nós ainda vivos", escreveria mais tarde Levi, judeu italiano que relatou o período em que passou ali em É Isto Um Homem? (1947).

"Eles não nos cumprimentaram ou mesmo sorriram. Pareciam oprimidos não apenas pela compaixão, mas pelo... sentimento de culpa de que tal crime pudesse existir."

"Nós vimos pessoas magras, torturadas, exaustas", descreveu o soldado soviético Ivan Martynushkin sobre a libertação do campo de extermínio. "Podíamos ver por seus olhares que estavam felizes de serem salvos daquele inferno."

Em menos de quatro anos, a Alemanha nazista matou ao menos 1,1 milhão de pessoas em Auschwitz. Quase 1 milhão eram judeus.

Aqueles deportados ao complexo foram mortos em câmaras de gás, trabalharam até a morte ou foram assassinados em experimentos médicos. A vasta maioria morreu no campo de extermínio Auschwitz-Birkenau.

Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto, a campanha nazista para erradicar a população judaica na Europa, e Auschwitz está no centro do genocídio.

O que era Auschwitz?

Originalmente, Auschwitz era uma instalação militar no sul polonês. A Alemanha nazista invadiu e ocupou a Polônia em setembro de 1939 e, em maio de 1940, transformaram o local em uma prisão para presos políticos.

A instalação, que tem a infame mentira "O Trabalho Liberta" inscrita em alemão no portão de entrada, passou a ser conhecida como Auschwitz 1.

Com o avanço da guerra e do Holocausto, o regime nazista ampliou o lugar.

Os primeiros prisioneiros a serem mortos com gás foram soviéticos e poloneses em agosto de 1941.

Os assassinatos começaram em um novo campo, Auschwitz 2-Birkenau, no mês seguinte. Esse se tornou um local com enormes câmaras de gás onde centenas de milhares de pessoas foram mortas até novembro de 1944. Os corpos eram, então, queimados em um crematório.

A companhia química alemã IG Farben construiu e operou uma fábrica de borracha sintética em Auschwitz 3-Monowitz. Outras empresas privadas como Krupp e Siemens-Schuckert também operavam fábricas em regiões próximas, a fim de usar prisioneiros como trabalhadores escravizados.

Tanto Primo Levi quanto o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel sobreviveram ao campo de concentração de Monowitz.

Quando Auschwitz foi libertado, havia mais de 40 campos e subcampos.

Como Auschwitz funcionava?

Pessoas de todas as partes da Europa eram amontoadas em trens sem janelas, banheiros, assentos ou comida, e levadas para Auschwitz.

Ali, elas eram imediatamente divididas entre quem poderia trabalhar e quem deveria ser morto imediatamente.

O segundo grupo era obrigado a tirar a roupa e sentar sob chuveiros.

    Nazistas cremavam vítimas em fornos l Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Guardas do chamado "Instituto de Higiene" então despejavam o poderoso gás Zyklon-B nas câmaras seladas e esperavam as pessoas morrerem. Isso durava 20 minutos. As paredes espessas não eram, no entanto, capazes de abafar os gritos daqueles que se sufocavam ali dentro.

Depois os chamados Sonderkommandos — outros prisioneiros, geralmente judeus forçados a trabalhar para os guardas — removiam próteses, óculos, cabelos e dentes artificiais antes de arrastar os cadáveres para os incineradores. As cinzas eram enterradas ou usadas como fertilizantes.

Pertences dos mortos e dos enviados para o trabalho eram levados para triagem em uma parte do campo conhecida como "Canadá" — assim chamada porque o país era visto como uma terra de abundância.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Tantos judeus húngaros foram mortos em tão pouco tempo que os corpos das vítimas foram jogados em covas perto do campo e queimados


*Relatos de apenas fragmentos da história, sombria história.


do, Terra.


O que aconteceu com os nazistas pode se repetir. Os extremos se mobilizam fácil; as pessoas moderadas, não. É preciso que estejamos vigilantes

 Beate Klarsfeld






Depois de Auschwitz, a condição humana não foi mais a mesma. Depois de Auschwitz, nada será igual.

Elie Wiesel

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