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Dilma diz que vai ao Senado porque acredita na democracia

Foto: Paulo Pinto/Agência PT
A presidenta Dilma Rousseff disse, na noite desta terça-feira (23,  que irá ao Senado porque acredita na democracia. “A democracia é algo muito valioso para que não se lute por ela”, afirmou para cerca de 1,5 mil pessoas que se reuniram em ato da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, realizado na Casa de Portugal, em São Paulo.

Também compareceram pessoas como o senador Eduardo Suplicy, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição Fernando Haddad, o líder do MTST, Guilherme Boulos, além de líderes estudantis e sindicais, todos prestando apoio e solidariedade à presidenta.

Dilma começou a noite falando em resistir, mas também em lutar. “Os movimentos sociais, os partidos progressistas, as mulheres, todos nós fomos capazes de formar uma grande frente de resistência”, afirmou.

Para ela, “essa luta não tem data para terminar”, uma vez que a democracia não está garantida. “É importante chamar as ações por seus verdadeiros nomes e nisso ganhamos: é golpe”, comentou a presidenta, acrescentado que o processo de impeachment é reprovado internacionalmente.

Nas palavras da presidenta, há dois grandes motivos para o golpe em curso no Brasil. Um deles é o fato de que “a democracia é muito incômoda para quem quer evitar a participação popular na política”.

O outro motivo está relacionado a quem de fato vai “pagar o pato” da crise econômica. Ela destacou que os responsáveis pelo golpe já deixaram claro que pretendem fazer ajustes brutais contra a saúde, cultura e educação, além de privatizar as riquezas do país, cobrando o preço dos mais pobres.

Comparando a democracia com uma árvore, Dilma afirmou que o golpe em curso no país é “como um ataque de parasitas que assumem lentamente os galhos da árvore e vão se espalhando”. Respondendo aos que questionam se a ida ao Senado não poderia legitimar esse processo, ela disse que “somos democratas e nossa maior arma é aumentar os espaços de debate público”.

A presidenta eleita ainda afirmou que ninguém respeitará quem condena uma pessoa inocente. “Esse processo é muito duro porque sei que estão cometendo uma injustiça”, disse.

Dilma ainda comentou sobre as Olimpíadas, afirmando que estava muito orgulhosa pelo sucesso do evento, que começou a ser construída ainda no governo de Luíz Inácio Lula da Silva, quando ela era ministra da Casa Civil. Ela também comparou os jogos a uma festa, que “você organiza, arruma a casa, contrata a melhoria das instalações, arruma os móveis e no dia da festa é proibido de entrar”.

“Eles não nos colocaram nessa parada, não. Nem eu, nem Lula. Fomos devidamente esquecidos e vocês sabem por quem”, completou.

Entre os presentes que deram seu apoio à presidenta, a fala mais emocionada foi do senador Eduardo Suplicy, que leu uma carta do jurista Dalmo Dallari, que diz que “não existindo fundamento jurídico-constitucional o impeachment seria efetivamente um golpe contra o sistema político-jurídico democrático consagrado na Constituição feita pelo povo em 1988”.

Fernando Haddad afirmou que estamos em um momento muito delicado da vida nacional. “Dilma, que foi vítima de um golpe militar nos anos 1960, agora é vítima de outra modalidade de golpe”. Para o prefeito, o que está em jogo é muito mais que uma troca de governantes. “O que está em jogo são os direitos sociais do povo brasileiro”, avaliou.

Por Pedro Sibahi, da Agência PT de Notícias

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