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'Vou recuperar mandato no STF', diz Demóstenes no Twitter


O senador cassado Demóstenes Torres (GO) disse em seu perfil no Twitter na noite desta quarta-feira, após a votação no plenário do Senado definiu a perda de seu mandato, que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a cassação. "Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu", escreveu. Ele afirmou que há "motivos suficientes" para tentar recuperar o mandato. "Fui cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro".
Demóstenes também respondeu a uma mensagem postada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo de cassação, que dizia que "certos comportamentos não são aceitos na atividade política". "Demóstenes Torres tinha um discurso de austeridade, mas relações promíscuas", escreveu Costa. O senador cassado rebateu: "Onde estão as provas dessas relações promíscuas? São as mesmas que o sr. sofreu no escândalo dos sanguessugas?", questionou, referindo-se ao escândalo de corrupção que envolveu desvios de recursos na compra de ambulâncias em 2006, quando Humberto Costa era ministro da Saúde.
Desde que vieram à tona os indícios de seu envolvimento com Carlinhos Cachoeira, Demóstenes parou de usar o Twitter. Hoje, disse que pretende voltar a postar mensagens. "Vamos voltar a conversar aqui. Falar de música, literatura, política. A esquerda me tirou o mandato, mas não a coragem", escreveu.
Carlinhos Cachoeira 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado. (Jornal do Brasil)

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