Para a maioria dos
brasileiros, a manhã de dois de maio de 2003 poderia ser somente uma daquelas
datas do calendário renegadas ao esquecimento. Nenhum grande feito histórico,
nenhuma decisão de Estado considerável, nenhuma morte de uma personalidade
importante. Aquele dia, entretanto, ficaria marcado pela simplicidade e pela
força estrondosa dos pequenos gestos e pela rebeldia singela dos heróis
anônimos do cotidiano. Um baiano de 53 anos, pai de família, sem muita
formação escolar, de conversa simples e afável nos tratos, enfrentou a ordem
dos patrões, desafiou a decisão da justiça e seguiu aquilo que acreditava ser o
mais importante entre os seres humanos - a solidariedade. Amilton Santos, no
comando de um trator, foi contra tudo e todos e se tornou um herói e exemplo
para os brasileiros. Obrigado a demolir
duas casas que abrigavam quinze pessoas no bairro da Palestina, ele desceu do
trator, chorou, foi ameaçado e pressionado a cumprir uma determinação judicial.
Acuado, tentou mais uma vez, mas não conseguiu passar por cima da própria
crença e dos seus sentimentos. A historia do operador de máquinas
Amilton, hoje com 61 anos, ganhou repercussão em diversos meios de comunicação
e emocionou o Brasil. Despertou a curiosidade, foi tema de entrevistas, de
debates sobre as ordens judiciais, inspirou autores de novela e trouxe de volta
a sensação de que o mundo ainda tem muito espaço para a honestidade,
fraternidade e para a compaixão. "Foi um dia que mudou tudo para mim e eu
faria exatamente tudo de novo. Eu tenho casa, tenho família, e com que direito
eu poderia chegar e passar o trator por cima da casa dos outros deixando todo
mundo sem ter onde dormir? Sem ter um abrigo? Esse tipo de serviço nunca fiz e
não me chamem. Primeiro de tudo, o coração e o bem das pessoas", relembrou
o tratorista. Oito anos depois do
episódio, Amilton continua trabalhando na mesma empresa, fazendo serviços de
terraplanagem. Em uma dessas ironias do destino, a atividade principal dele,
desenvolvida durante às 8h diárias de trabalho, é preparar o terreno para a
construção das obras do projeto "Minha Casa, Minha Vida". "A
casa da gente é o lugar onde você descansa, se alimenta, vive com sua mulher,
com seus filhos, com seus parentes. Ficar sem isso é a mesma coisa que tirarem
um pouco de sua vida ou não é?", pergunta. O herói tratorista que
mora no bairro da Fazenda Grande do Retiro com a mulher e dois filhos, diz que
é ainda é lembrado e admirado pelo feito que marcou a sua vida e a vida dos
moradores da Palestina. No ano de 2004, foi candidato a vereador, mas perdeu a
vaga. A rápida passagem pela política não deixou nada de tão memorável: "É
uma coisa que não me meto mais. Para o futuro, eu só quero saber de saúde, de
viver bem mesmo e de trabalhar". O tempo que sobra também é dedicado aos
dez filhos que tem. Embora a maioria já possua mais de 18 anos, o operário faz
questão de estar por perto, conversando, acompanhando e, quando possível,
ajudando: "Eles tem uma grande admiração por mim, acham que sou o herói
deles, que tenho o coração bom", explica. (iBahia)
Harry Shibata, o legista da ditadura Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira após um processo de fritura que incluiu seu linchamento pelas milícias virtuais. Ex-ministro Nelson Teich Foi “o dia mais triste” da sua vida, definiu. “Não vou manchar a minha história por causa da cloroquina”. Bolsonaro defende o medicamento de maneira doentia, sem qualquer base científica. Há interesses econômicos — a Apsen, empresa farmacêutica que produz o medicamento, é de um empresário bolsonarista chamado Renato Spallicci. Há também uma necessidade doentia de tentar encontrar uma “cura” e o presidente da República ser o milagreiro. Bolsonaro pôs a faca no pescoço de Teich. “Votaram em mim para eu decidir. Acredito no trabalho dele, mas essa questão eu vou resolver”, disse o presidente Bolsonaro (psicopata) numa live com empresários. Teich havia escrito no Twitter que “a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com bas...
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